PERSONAL TEXTO

Futura Light é uma apreciada fonte inspirada em elementos do design de Bauhaus. Ideal para títulos, banners e logos, suas palavras vão ganhar destaque.

Trechos para ilustrar:

Verônica e o pianista da rosa negra

Verônica é uma jovem que sonha em ter magia em sua vida. Ela quer habitar o mundo encantado das histórias de princesas, dos seriados e filmes de criaturas sobrenaturais. Uma fada, uma feiticeira, um duende, um elfo, enfim, sonha com alguma criatura mágica que possa quebrar sua rotina de dias "comuns" e botar um fim a essa maldição de não ser feliz no amor. Não sabe qual foi a bruxa que fez com que seus romances acabassem sempre da pior maneira, muitos acabaram antes mesmo de começar. É uma ótima conselheira amorosa, mas seus conselhos não servem para si mesma. Com isso, a menina que espera ser agraciada pelo faz-de-conta, vai vestindo uma armadura de guerreira, de personalidade forte, de realidade.

Enquanto o extraordinário não a visita, ela vai ao encontro dele nos livros. Ama ler. Mergulha nas histórias encantadas. Quanto mais magia melhor. Se pudesse, moraria dentro de um livro. Além da leitura, tem verdadeira paixão com música. Apaixonada por piano, o qual a leva a viajar para outro universo. Para o universo mágico que quer habitar. E então, corpo, alma e espírito dançam. Seu corpo ganha vida própria. Porém, quando o livro ou a música acaba, ela volta para o cotidiano. E o cotidiano é repleto de coisas chatas, tediosas, óbvias. O que ela não esperava é que seu desejo estava prestes a ser atendido.

(...) continua

O sorriso de Beatriz

Ah! Lá vai aquela morena
Descendo pelos rios do mundo...
Ah! Lá vai aquela pequena
Vivendo as mil correntezas
E as belezas dos risos sem fundo...
Será quem é? Sereia, fada, mulher? 

É um sorriso feito de água doce
De pássaros, lendas e aromas
Das matas que a chuva trouxe...
Ela sorri como quem semeia 
Flores livres, belas, sem doma
Pétalas de estrelas e lua cheia. 

Clareia, clareia, clareia de sorrir
Este céu, a terra e até o coração
Que já desistiu de ser feliz...
Sorria, sabiá, colibri, bem-te-vi,
Sorria a luz do novo dia, Beatriz,
A quem se perdeu na escuridão.

Sorria de alma, de corpo inteiro
Com gosto, textura e cheiro, 
Sorria de repente e por um triz... 
Por todas as horas e agora, sorria 
Que o mundo inteiro pede bis
Pede mais do seu sorriso, Beatriz.   

Bodas de vida

Cinqüenta. 50 tardes. 50 músicas. 50 encontros. 50 olhares. 50 anos de amor, amizade,..., devoção. 50 anos em que a vida já se faz infinita por si só. Quantas rosas floresceram ao longo dessa caminhada? Quantas as pétalas? Quantos os espinhos? Uma rosa que no início se equilibrava em uma rama tão frágil. Mas a beleza sempre triunfa e a rosa que se vê murcha, já doa sua vida a outro botão.
Cinqüenta anos em que uma roseira floresce seus botões com uma beleza diferente a cada dia. Floresce com novas esperanças e promessas. 50 anos onde uma vida se entrega a outra em plena devoção. Quantas mãos sonharam chegar juntas aos cinqüenta anos? Amores que nascem em frações de segundo e que perduram pela vida toda como se fossem algo mágico. Uma magia que permite, a cada dia, que os olhos se cruzem e tenham a certeza de que tudo valeu a pena.
Dia 12 de junho de 1951, eles eram simplesmente mais um Antônio e mais uma Ofélia em um altar onde tantos já juraram a fidelidade na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, enfim, juraram uma vida que embora nascida naquele momento prometia ser eterna. Hoje, são pais, avós, heróis... História. Uma história que começou há 50 anos. 50 anos juntos. Passos que caminham juntos, lado a lado, rumo a um horizonte sem fim, deixando para trás momentos que não se esquecem.
E se foram o algodão, a porcelana, a prata... Agora, o ouro. Nada mais cobiçado, mais glorioso para os vencedores do que o outro. Dia 12, dia dos namorados, nada mais justo para coroar um namoro que envelhece, mas não perde o encanto. Bodas que são bodas de sangue, de um juramento único, de um sonho que não acabou. 50 anos em que a vida foi vivida pelo prazer de se viver a dois, de compartilhar cada momento, cada dor, cada sorriso.
Cinqüenta anos. Poucos sabem entender o que são 50 anos. É quando cinqüenta deixa de ser um número para ser um marco. Porque duas vidas se fizeram uma ao longo de 50 milhões de sonhos. Cinqüenta anos depois para vocês e a mesma tarde que nasceu naquele dia nasce na mesma música. Os olhares se encontram na mesma ilusão de 50 anos atrás e se declaram novamente. E a vida sonha mais uma vez o amor. O amor que é mais forte do que o tempo.

Estrela do mar

Mikaele é o agora, o já, o imediato
A semente do hoje lançada ao vento
Presente-perfeito de qualquer tempo
É a vida que não fica para depois, pois
É vontade de ser "pra sempre", de fato,
Mesmo sabendo que o "pra sempre"
É dos tempos o tempo mais abstrato.

Mikaele é o pleno, o todo, a ligação
Da alma, o que se guarda no coração
É Vênus na conjunção astral mais intensa 
Dona de linhas de arquitetura suspensa,
Entre o espelho d'água e o sétimo céu
É onda que se levanta e não se quebra,
É o véu do mar, o chamado à entrega.

Mikaele é o encanto que não se perde
Poesia e canto passados de boca a boca
É beleza farta, nunca dada como pouca
É pássaro livre que não cede nem cai
É muito mais do que um copia e cola...
Flor sem vaso, na escola do mar, vai
Mergulhando fundo em amore rasos.

Nunca se engane: Mikaele não é relés
Mortal, é filha das águas com o tempo
E, vez ou outra, atende pelo nome
De estrela, mas não é evento que some
Ao sol e flutua pra lá do milésimo andar...
Mikaele é estrela, estrela do mar,
Estrela do "pra sempre" que começa já.

Milla a princesa de areia

O castelo de areia, do reino da praia, estava em festa. O rei, empolgado com a aliança política que estava para ser firmada, convidou todos os nobres e súditos para uma festança em comemoração ao casamento de sua filha mais velha com o príncipe do reino de vidro. Ele ainda não conhecia sua noiva, a união foi costurada pelos pais dos noivos e, seguindo a tradição, só se conheceriam no dia da troca de alianças. 
Porém, nem o clima de festa espalhado pelo reino foi capaz de tirar Maximirlla, a Milla, de seu quarto. A filha mais nova do rei não saia dos seus aposentos por nada, fazendo deles sua masmorra particular. Do dia para noite, ela mesmo se prendeu, condenando-se à solidão, ao esquecimento, ao isolamento. 
O rei e a rainha não saibam mais o que fazer para tirar a filha dessa situação. Mandaram o bobo da corte fazer suas palhaçadas, mas ela não sorriu. Encomendaram uma coleção de vestidos do reino das sedas, mas ela sequer os experimentou. Trouxeram um urso adestrado que andava numa bicicleta de uma roda só, um monociclo, mas ela não achou a menor graça. 

Continua.