Viagem interior


Às vezes me sobe uma vontade de cair na estrada, fazendo do meu coração a minha bússola. Andar por aí sem rumo pré-definido, sem precisar dar satisfações e sem ter qualquer obrigação de voltar. Fazer do caminho a minha casa e de cada passo uma linha ou um verso. Conhecer os mais diferentes lugares e paisagens, guardando em meus olhos uma variedade de retratos e em meus baús internos as mais variadas sensações e emoções, tornando-me uma espécie de álbum de maravilhamentos.

Vem então uma vontade de pegar um avião, um trem, um navio, uma charrete, uma bicicleta, um balão, uma nave e percorrer o que há para ser percorrido, o que, de alguma forma, me espera. No entanto, essa euforia se assossega quando eu me acomodo confortavelmente, alinho a coluna, fecho os olhos e medito. O corpo não mais me limita, a minha alma se liberta e a minha consciência se expande. Eu viajo por esse e outros mundos e, até mesmo, por outros tempos.

Em meditação, percebo que todos esses lugares que quero loucamente visitar existem dentro de mim. Basta que eu me permita acessá-los. E eu tenho me permitido essas viagens fantásticas, tão reais e mágicas ao mesmo instante. Eu sou um portal para uma espécie de reino encantado. Tudo o que existe lá fora existe cá dentro. E isso não é sonho, mas realidade. O meu corpo não guarda apenas meus órgãos, guarda o Universo.

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